De uma idéia à realidade…

Planejar uma viagem pela Rota 66 acabou sendo muito mais fácil do que eu imaginei. A lendária e extremamente popular autoestrada americana é visitada por milhares de pessoas anualmente. Também conhecida como Mother Road e/ou Main Street of America, ela passa por nove estados americanos começando em Chicago e terminando oficialmente em Santa Monica na Califórnia.

Eu soube da existência da Rota 66 através do filme “Easy Rider” aos 12 anos de idade. Desde a primeira vez que assisti o passeio fatídico dos personagens de Dennis Hopper e Henry Fonda eu desejo fazer uma viagem pela principal “rua” da América. Após uma extensa (e tranqüila) busca pela internet encontrei as informações necessárias para dar andamento ao sonho de viajar de moto de Los Angeles para Las Vegas passando por outras localidades turísticas na região.

Existem várias empresas americanas e brasilieiras que oferecem pacotes para a Rota 66. Meu plano inicial era entrar em contato com alguma  dessas empresas (preferencialmente uma com boas referências) e alugar uma moto apenas. Eu faria a viagem com um GPS em mãos e alguns dólares no bolso. A idéia era rodar por uma semana sem muito planejamento (exceto em relação aos hotéis onde eu iria dormir). Quando minha mulher perguntou se poderia fazer parte da viagem achei melhor contratar uma empresa especializada nesse tipo de atividade.

“Descobri” a pequena Ride Free Motorcycle Tours (www.ridefree.com). O dono da empresa é bem acessível e o preço cobrado por eles é alto mas justo. O pacote que eu contratei na Ride Free inclui o aluguel da moto, três refeições por dia, pedágios, combustível e estadia e por alguns dólares extras um seguro mais elaborado. As motos são alugadas na Eagle Rider uma empresa gigantesca e que tem algo em torno de 500 motos só em Los Angeles. Para os motociclistas e amantes das duas rodas a Eagle Rider é um parque de diversões. Eles oferecem capacetes, jaquetas, camisetas, luvas e, claro, motos. Muitas motos. Harleys dos mais variados modelos, desde a “pequena” H-D 883 até a confortável Electra Glide! A carteira de motorista para motos é (obviamente) obrigatória e um cartão de crédito com um limite baixo (U$ 100) necessário para o caso de algum imprevisto acontecer.

H-D Electra Glide

Harley Davidson Electra Glide, perfeita para a estrada e para a companheira.

Sair de Los Angeles num domingo de manhã é tranqüilo. São poucos carros nas ruas e as Freeways são rápidas, seguras e bem sinalizadas. Depois de umas 60 milhas (96 km) na 210 East entramos no que parece ser uma pequena vila militar com um posto de gasolina. As motos são alugadas com os tanques cheios mas vários trechos da Rota 66 não têm postos de gasolina então é preciso estar sempre abastecendo. 160 milhas depois chegamos ao lendário Bagdad Cafe! O lugar é extremamente simples e bem detonado para um diner tão famoso mas recebe gente do mundo inteiro. Além do nosso grupo encontramos vários franceses motociclistas bem simpáticos e algumas mulheres do leste europeu. Vale lembrar que o Bagdad Cafe fica na Rota 66 e não na Freeway paralela à Rota. Um trilho de trem atrás da lanchonete impressiona com a quantidade de trens passando e pelo tamanho das locomotivas e o número de vagões. Em um dos trens foi possível contar 105 vagões!

Bagdad Café, o lendário restaurante que deu nome ao filme de Percy Adlon.

Após um almoço gorduroso e farto (sanduíche, batatas fritas e refrigerante) voltamos às motos e ao tempo agradável.  A paisagem de deserto impressiona e o número de carros na estrada afasta qualquer sinal de isolamento. As pistas são bem sinalizadas e os avisos de fiscalização são constantes. Isso não impediu que a velocidade do grupo fosse acima do limite. Para nossa sorte não tivemos problemas com a polícia. A punição por excesso de velocidade varia de um estado para outro e vai desde algumas centenas de dólares (as custas do processo entram no valor) até um dia na cadeia.

Do clima quente e seco da Califórnia para a montanhosa Laughlin (Nevada) é um pulo e a mudança na vegetação é clara mas tímida. Laughlin é vista como uma mini Las Vegas. A entrada para a cidade é memorável e a estrada sinuosa exige que se mantenha o foco na pista e não na impressionante paisagem.

Laughlin e o cassino do Colorado Belle.

O primeiro dia da viagem foi tranqüilo e sem grande surpresas. Conhecer Laughlin valeu a pena mas não é um lugar interessante o suficiente para um retorno. A cidade é pacata e os cassinos têm um ar decadente. Pessoas hipnotizadas pelos jogos e um cheiro de fumaça de cigarro passam um impressão mais real e menos charmosa dos cassinos. Nada como a televisão para distorcer a realidade.

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