“Zion Park é ainda melhor”- Wil Sakowski

A primeira e espetacular imagem que tive do Grand Canyon vai me marcar para sempre. Ali, naquele instante, eu tive certeza que naquela viagem eu dificilmente veria um lugar tão incrível novamente. Alguns minutos depois eu vi várias luzes aparecendo de forma intermitente no fundo do cânion. Não entendi inicialmente e fiquei quieto. Pouco tempo depois elas reapareceram e assim foi até eu perguntar para um dos guias, Brian, o que era aquilo. Ele falou que existem algumas instalações para as pessoas pernoitarem lá embaixo. E que, com isso, elas aproveitam para fazer trilha.

A estrutura montada no Parque Nacional Grand Canyon foi uma enorme surpresa pra mim. Eu sempre achei que o Grand Canyon era um lugar selvagem onde as pessoas paravam na beira do precipício e acampavam à noite. Certamente existem partes assim já que ele tem mais de 440 km de extensão mas nós ficamos em um ótimo hotel! O lugar é simples com uma praça de alimentação separada dos alojamentos. Existe um restaurante por perto e , dentro do parque, é tudo pavimentado e bem sinalizado. Lá eu também realizei um sonho: andei de moto sem capacete. O limite de velocidade precisa ser respeitado em alguns trechos mas em outros é possível acelerar com moderação.

Saímos em direção aos vários rims dentro do parque que possibilitam avistar o Grand Canyon de lugares diferentes. Isso levou boa parte da manhã já que existem dezenas ou centenas desses lugares lá. Em cada uma dessas beiradas existe um local para estacionar a moto, carro, ônibus e/ou trailer.

Um dos inúmeros ângulos do Grand Canyon

Continuamos a viagem e por boa parte do trajeto acompanhamos o abismo desse belo monumento natural. A região ainda é habitada pelos índios Navajos embora eles só tenham a ascendência indígena como característica peculiar. O homem branco conseguiu contaminar os nativos e hoje eles andam em pickups usando calça jeans e camiseta. Alguns produtos vendidos como sendo arte navajo eram, de fato, produzidos na China! É um belo exemplo de progresso…

“Território” indígena

A estrada que nos levou ao nosso destino do dia é perfeita. A paisagem é linda e um pouco mais urbanizada. Várias casas e estabelecimentos comerciais em pleno funcionamento ao longo do caminho. Uma observação: no primeiro dia de viagem pudemos acompanhar o destino dos lares que serviram de abrigo para os primeiros habitantes da Rota 66. Eles hoje são residências abandonadas compondo pequenas cidades fantasma. O sustento de boa parte dos que permanecem nessas casas é o roubo de motos e a produção de metanfetamina. Esse, felizmente, não é o caso da rodovia que conduz ao Zion National Park.

Uma hora antes de chegarmos em Zion paramos para reabastecer em um posto curioso. O letreiro na beira da estrada revela que a loja de conveniências tem gasolina, cerveja, jogos lotéricos e armas. Entrei esperando ver umas espingardas de cano duplo e alguns rifles com mira para caça. Acertei. O que eu nunca imaginei que eles teriam era espingardas de assalto (tipo aquelas dos filmes do Schwarzenegger) e fuzis AR-15!

Como no dia anterior, chegamos tarde ao destino. Já era noite quando entramos no Parque Nacional Zion. Um leve resquício de luz auxiliou na hora de visualizar as silhuetas das enormes montanhas que cercam o local. Lá dentro é preciso andar em velocidade reduzida. O parque tem uma fauna rica e presente. Leões-da-montanha, búfalos, aves e vários outros animais dão vida ao ambiente.

Paramos no estacionamento do hotel e, mais uma vez, a estrutura da área impressionou. Casinhas de madeira com lareiras à gás se encaixam na mata que envolve os pés das montanhas. Um refeitório afastado abriga um restaurante, uma loja de souvenirs e uma lanchonete.

Refeitório do Zion Park

A manhã seguinte dizimou a minha certeza em relação à beleza incomparável de qualquer outro lugar, naquela viagem, ante o Grand Canyon. O vermelho das montanhas em conflito com o azul do céu e o verde da vegetação compõe uma harmonia de cores impressionante. É possível ver e ouvir toda a vida selvagem ao redor e se perder, por alguns minutos, naquele santuário natural. Se Zion Park é melhor eu não sei mas ele é tão marcante quanto o Grand Canyon.

Saindo do Zion National Park

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