Vegas, here we go…

A manhã seguinte começou cedo para o grupo e a razão disso era uma só: ansiedade. Embora as expectativas com o Grand Canyon tivessem sido superadas e Zion Park tenha sido uma surpresa mais que agradável, Las Vegas era a estrela principal. O talento americano para vender bem o que lhes interessa é inegável. Filmes, clipes, músicas e fotografias sobre Las Vegas atiçam a curiosidade de qualquer mortal.

A saída de Zion Park nos levou para uma cidade nos arredores. Assim como a maioria das pequenas cidades americanas, essa tinha belas casas sem cercas, asfalto em excelentes condições, comércio local tímido mas eficiente e sinalização impecável. A única coisa que conferimos lá foi um café local e suas instalações sanitárias. L.V. era o objetivo!

No caminho para Las Vegas encontramos vários grupos de motociclistas mas nenhum motoclube. Não houve uma situação de estranhamento entre os vários grupos. Muito pelo contrário, os cumprimentos eram praxe entre todos. Outra coisa: não vi uma moto abaixo de 1200cc nas estradas! Eram TODAS possantes e 99% da Harley Davidson. Aliás, o americanismo faz com que eles te olhem torto caso você ande numa estrada americana com uma moto japonesa. Não faltaram Electra Glides, Street Glides e a imponente Road Glide Ultra mas em duas ocasiões passamos por Goldwings (Honda).

A temperatura estava elevada mas não chegou a causar problemas maiores. As paradas para água, reabastecimento e banheiro eram constantes mas nunca constantes o suficiente a ponto de comprometerem a viagem.  A vontade de chegar em Las Vegas era tamanha que cada parada era curta. O guia do grupo, proprietário da Ride Free Motorcycle Tours e viajante profissional, Wil Sakowski, armou uma surpresa e saiu da rota planejada para nos mostrar o Vale do Fogo. Também um parque (não sei se nacional ou estadual), o lugar abriga as montanhas mais vermelhas que eu já vi e vários petróglifos deixados por povos que lá viveram há centenas e/ou milhares de anos. 

Valley of Fire

Petróglifos (foto da RFMT)

Montamos nas motos e saímos, finalmente, para o local de destino do dia. Mais de uma hora por dentro do parque olhando para uma paisagem morta mas belíssima, voltamos a ver sinais de civilização. Um enorme condomínio para ricos, certamente, já que as mansões a beira de um lago não deixam dúvidas de que para morar ali é preciso ter muito dinheiro, foi o primeiro sinal que estávamos próximos dos enormes cassinos e da famosa Strip .

Por muito pouco não tivemos que atrasar tudo em decorrência de um acidente. O perigo de andar em grupo com pessoas que você não conhece (e que, às vezes, nunca andaram em grupo) é que erros primários são cometidos. Manter uma distância segura e NUNCA, NUNCA parar subitamente no meio da pista parece óbvio para qualquer um. Infelizmente, isso aconteceu algumas vezes conosco e não parecia óbvio para um dos membros do grupo. Ainda bem que nada grave vitimou um dos elementos mais queridos do bando que, diante do susto, ganhou o apelido de skid mark. 

A parte “divertida” de Las Vegas me pareceu menor do que na televisão. Embora os hotéis sejam colossais, a impressão que eu sempre tive é de que o lugar era ainda maior. Talvez eu não tenha aproveitado melhor a chegada na cidade já que passava das 16h e eu precisava chegar no “meu”local de destino mais aguardado até as 18h. Com o check-in e a acomodação das bagagens nos quartos levaria mais de uma hora até chegar ao meu objetivo em Las Vegas. Pensando bem, é provável que minha irritação tenha estragado o momento (pra mim).

A Zero Engineering tem uma loja nos Estados Unidos e essa loja se encontra em Las Vegas. Fundada por um japonês em 1981, produz motos customizadas pela bagatela de U$ 30.000 (média). Eles usam motores clássicos da Harley Davidson (panhead, shovelhead, knucklehead…) e são, na minha opinião, obras de arte. Quando eu soube que passaria por Las Vegas entrei imediatamente no site da empresa (www.zero-eng.com) para ver o horário de funcionamento. Como chegamos numa quarta-feira eu sabia que eles só estariam abertos até as 18h. Chegar na cidade pouco depois das 16h colocava em risco a única coisa que eu realmente fazia questão de fazer em Las Vegas.

Type 9 by Zero Engineering

Type 6 by Zero Engineering

Conhecer a loja da Zero foi uma realização. De quebra, resolvi um problemão que me acompanhava desde o início da viagem: o capacete. Levei meu velho capacete de guerra que uso no Brasil. Capacetes brasileiros obviamente não têm força legal para uso nos Estados Unidos. O selinho do Inmetro não vale lá. É preciso adquirir um capacete (D.O.T.) que é a sigla pra Department of Transportation, ou seja, aprovado pelo departamento de trânsito americano.

A viagem foi toda feita sem que a polícia nos incomodasse uma vez sequer. Em momento algum fomos parados e, pra falar a verdade, vi a polícia pela primeira vez em Nevada (terceiro estado visitado por nós). Segundo alguns motociclistas americanos e vendedores, a polícia nunca checa capacete. Porém, se você for parado e um policial resolver dar uma olhada no capacete e o capacete não for aprovado, a multa é pesada e a dor de cabeça pode ser gigantesca. Como cada estado cria suas próprias leis é possível receber uma multa, receber uma multa e ter a moto recolhida, receber uma multa, ter a moto recolhida e ter que comparecer diante de um juiz, e por aí vai. E multa lá é o que o guarda aplica como punição mais as custas do processo. Vimos isso com alguns amigos nossos que alugaram um carro antes da viagem de moto. Eles saíram para fazer compras e estacionaram em local proibido. Receberam uma multa no valor de U$ 40 mais as custas no valor de U$ 280. Esse desgosto eu não queria ter.

Depois de retornar ao hotel, comer e tomar um banho, chegara a hora de conhecer Las Vegas. A cidade é abarrotada de gente do mundo inteiro. Como lá (quase) tudo pode o americano vai pra farra. E tome cerveja na rua (a maioria dos estados americanos multa quem estiver tomando bebida alcoólica em público), propaganda descarada de funcionárias do amor disfarçadas de massagistas e traficantes discretamente oferecendo suas mercadorias. Os hotéis são enormes e os cassinos igualmente impressionantes. Muita gente gosta de Las Vegas mas eu achei a cidade deprimente. Não por causa das construções e da população animada mas pelo que vem depois da euforia. Gente embriagada fazendo xixi na rua, vomitando e cambaleando. Algo parecido com algumas cidades brasileiras depois do auge de uma noite de carnaval. Como eu tinha uma imagem muito mais positiva da cidade acabei me decepcionando. Acho que estou ficando velho. Minha maior surpresa foi descobrir, no dia seguinte, que todos no grupo se sentiram da mesma forma!

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8 comentários

    1. Hey Guys! I love that I get a email whenever anyone post to this. I look through the blog and remember the trip.
      Great times. I really look forward to riding with you guys again one day. The 2nd time is even more fun, because you are with old friend.
      RIDE FREE!
      Wil
      http://ridefree.com
      Ride Free Motorcycle Tours and Rentals USA and Classic Car Tour USA
      Route 66, Grand Canyon, Sturgis, California Pacific Coast Highway, Death Valley, Canadian Rockies

      1. Hey, Wil!!! How are things? Thanks for reading. Many people have read the blog and get in touch by e-mail and forums. I always tell them they must get in touch with RFMT!!! Verena and I are already talking about our next trip with you guys. Hopefully it will be sooner than expected!!! Miss you guys… our good friends!!!

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