Vale da Morte

Sair de Vegas foi quase um alívio. Embora não tenhamos passado por nenhuma situação inconveniente ou desagradável, voltar para as motos e natureza parecia ser “a coisa certa”. Fizemos o checkout do hotel em meio a um saguão tão cheio que parecia que estavam distribuindo dinheiro! Normal, estávamos há poucos metros de um cassino em Las Vegas.

Enquanto esperava na fila eu conversava com um dos membros do grupo sobre motos, claro. Mostrei as fotos da Zero Engineering e conversamos sobre as três motos que ele possui. Uma BMW R 1200 GS, uma Ducati cujo modelo eu não lembro e sua mais nova aquisição: a Hellcat 132. As motos da Confederate motorcycles são personagens constantes dos meus sonhos impossíveis. Muita gente acha as motos da marca feias e esquisitas mas eu sempre gostei do design peculiar deles. Sou tão fã da Confederate que fiquei muito feliz só em conhecer o dono de uma! Como diria uma querida amiga: “Ô pobreza…”

A saída de LV foi tranqüila apesar do tráfego intenso. Conseguimos chegar em poucos minutos na Freeway que contorna a cidade e seguir rumo ao Vale da Morte. Por ser um lugar extremamente quente a idéia era cruzá-lo antes das 12h para não corrermos o risco de passar mal ou termos qualquer problema sério com as motos. Como estávamos no mês de outubro pegaríamos algo em torno de 38 graus Celsius. É raro e desaconselhável ir para lá no meio do ano. Para se ter uma idéia, a temperatura mais alta já registrada no planeta foi lá no início do século XX: 56.7 graus Celsius!

Ao entrar no Vale da Morte as placas indicam que não haverá local para abastecer nas próximas 70 milhas. Elas também sugerem que condutores de veículos com ar condicionado desliguem a refrigeração para não superaquecer os motores. E eu achando que passar por lá de moto era furada.

Alguns minutos depois de entrarmos, oficialmente, naquele forno natural, uma das motos apresentou um problema. A bateria havia queimado (parcialmente) no meio do Vale da Morte! Timing perfeito! Ficamos lá por quase duas horas no sol escaldante tomando muita água e economizando energia da melhor maneira possível. Como não havia sombra procuramos não nos movimentar demais. Até para quem mora em Brasília e está acostumado com alguns meses de secura extrema e muito calor, não foi fácil.

Vale da Morte

Problema resolvido e pé na estrada. Pouco tempo depois chegamos em Badwater Basin. Esse local é o ponto mais baixo dos Estados Unidos: 85.5 metros abaixo do nível do mar. O calor lá é insuportável e uma cadeia de montanhas ao redor corta qualquer passagem de ar que eventualmente possa passar por ali.

Fotos tiradas e vamos nessa. Sem grande surpresas mas muito calor depois, chegamos em um restaurante com ar condicionado e água gelada! Um oásis!

O restante do caminho foi bem mais agradável do que o Vale da Morte. Embora seja inóspito e tenha um nome típico de alguma localidade em Senhor das Anéis, compensa conhecer a região pela beleza desértica. Só não arrisque ir para lá em junho/julho.

Retas infinitas. A linha de visão se afunila no tempo.

Fizemos a última parada do dia para fotos panorâmicas antes de chegarmos ao nosso destino. Foi lá que eu derrubei a moto! Vacilei na hora de sair do acostamento com brita e a roda dianteira acabou afundando no terreno. Quem segura uma moto de mais de 400 kg? Felizmente ela inclinou pouco para o lado e pronto. O mata-cachorro da Electra Glide é tão grande que impede uma queda mais grave.

Estávamos com reservas marcadas para passarmos a noite em um hotel de família em frente a um rest stop. Como chegamos lá quase escurecendo eu não notei um acampamento de trailers do outro lado da estrada. Só no dia seguinte é que eu entendi como poderia haver tanta gente no restaurante do hotel.

Hotel no Vale da Morte

O hotel é propriedade de um ex-funcionário da NASA (eu acho) com uma ótima aposentadoria e quem trabalha lá são seus filhos e filhas. Por ser um ambiente realmente familiar, e “apenas” uma renda extra para o dono, é necessário tomar cuidado com o comportamento. Qualquer pisada na bola e você é expulso do lugar sem cerimônias.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s