Motos

Indian Larry Legacy Shop

Indian Larry!!!  Customizador, acrobata das duas rodas, rebelde por natureza, assaltante de banco “aposentado” e um dos mais respeitados membros do underground motociclístico norte americano. Fabricante idolatrado por revistas especializadas e por uma legião de fãs. Bi-campeão do Bikers Build-off (programa sobre fabricação de moto do Discovery Channel ) e sério candidato ao tri- campeonato. Uma lenda americana. Até  ser traído pelo excesso de confiança  e perecer no dia 30 de agosto de 2004 durante uma apresentação. De lenda a mito.

Em viagem recente aos Estados Unidos conheci a Indian Larry Legacy Shop no Brooklyn. O local é um velho galpão transformado em loja.  A decoração é simples, mas de muito bom gosto, e meia dúzia de motos (algumas vencedoras de campeonatos, incluindo o Bikers Build-off), o local é um ótimo ponto turístico para motociclistas. Uma oficina cerca a loja com acesso exclusivo para funcionários. Sem erro, afinal,  duas janelas imensas possibilitam visualizar a área de serviço. Perfeito para olhos curiosos.  Além das motos é possível comprar camisetas, capacetes, botas, luvas e o resto da indumentária desejada. Andar com estilo não faz mal a ninguém. A uma certa distância fica a Genuine Motorworks, outra loja ligada  a grife Indian Larry. Lá é possível comprar produtos de outras marcas também. Inexplicavelmente não tirei uma foto sequer do lugar!

A inspiração para essa moto veio de uma música da cantora Aretha Franklin

A inspiração para essa moto veio de uma música da cantora Aretha Franklin

A moto acima foi batizada de Chain of Mystery.  A idéia veio da canção Chain of Fools de Aretha Franklin. A dedicação na elaboração do design e arte das motos é marcante. Cada modelo é impressionante e original. A Chain of Mystery, que deu a seu idealizador seu último troféu no Bikers Build  tem como quadro  uma enorme corrente. “Quanto menos solda, mais resistente” dizem serralheiros e soldadores. Indian Larry nos mostra que regras não se aplicam a visionários e inovadores.

A moto abaixo também ganhou vários prêmios. Daddy-O, construída em homenagem a  Ed Roth, um dos ídolos, mentor e amigo de Indian Larry. Magistralmente desenhado no tanque vê-se uma das grandes criações de Ed Roth e um dos maiores ícones da cultura Hot Rod estadunidense: Rat Fink.

Homenagem a um dos ídolos de Indian Larry, Ed "Big Daddy" Roth, um dos maiores ícones da cultura Hot Rod americana e criador de vários personagens da Kustom Kulture. Indian Larry Legacy Shop Indian Larry Legacy Shop 2

Episódios do Bikers Build-off com Indian Larry:

INDIAN LARRY VS. PAUL YAFFE

INDIAN LARRY VS. BILLY LANE

INDIAN LARRY VS. MONDO

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capaHell’s Angels. Barulhentos, ousados, perigosos, sujos… atire a primeira pedra quem nunca flertou com a idéia de fazer parte de um MC. É muito provável que eles sejam os responsáveis indiretos pela idéia. Imagem da cultura motociclística fora da lei, o Hell’s Angels Motorcycle Club é a epítome da rebeldia sobre duas rodas.

Hell’s Angel – The Life and Times of Sonny Barger and the Hell’s Angel Motorcycle Club” é a razão desse post. Para quem não é familiarizado com o autor, Sonny Barger é o presidente e um dos membros fundadores dos Hell’s Angels. Intempestivo e violento, ele conseguiu fazer com que um grupo de motociclistas renegados se tornasse objeto de respeito e culto mundo afora. Filho de pai alcoólatra e orfão de mãe, desde cedo mostrou uma inclinação para o desrespeito. E sempre fez o que quis. Numa versão delinqüente do famoso poema Invictus de William Ernest Henley, Sonny Barger pode alegar ser realmente “master of my fate, captain of my soul” (“mestre do meu destino, capitão da minha alma”). Num mundo cada vez mais acelerado e opressivo, em que muita gente morre com saudade do que não fez e não viveu, a vida sem regras é uma tentação. Sonny caiu na tentação desde cedo.

Ao longo do livro vemos a importância do MC fundado em Oakland na cultura americana. As motos Harley Davidson utilizadas por eles são objeto de fascínio há décadas. A propagação da indumentária “obrigatória” do verdadeiro biker representada pelo casaco de couro e botas. Até mesmo uma das séries mais populares hoje em dia (Sons of Anarchy) foi inspirada neles. O criador da série, Kurt Sutter, é tão fã de Sonny que até um papel pra ele na série o cara arrumou. O filme Easy Rider foi lançado na época em que os Hell’s Angels estavam em alta nos Estados Unidos. Se tem uma coisa que o americano sabe fazer bem é ganhar (muito) dinheiro aproveitando o que está na moda. E a moda underground na época era ser livre. Hippies e Hell’s Angels eram o retrato da liberdade.

Vale frisar que ninguém deveria ser ingênuo para acreditar em tudo que ele fala. Durante o livro Sonny alega ter sido uma vítima da injustiça policial em quase todas as situações que lhe renderam um par de algemas nos pulsos ou algum tipo de recriminação. Até mesmo o resultado de julgamentos, que lhe renderam alguns anos na prisão, ele considera injustos. Embora seja bastante provável que os Hell’s Angels tenham sido, e até hoje sejam, perseguidos por causa do preconceito de muitos, de anjos eles não têm nada. Para aqueles que gostam de documentários, compensa entrar no YouTube e assistir alguns programas sobre eles. Já diz o ditado: existem três lados de uma história. O seu, o meu e a verdade.

Dirigir e digitar…

Poucas vezes fiquei tão abalado com um relato sobre um acidente. É raro ouvirmos a vítima descrever, tão bem, o horror vivido. Palavras, em alguns casos, valem mais que mil imagens.

A causa do meu abalo foi um post escrito em um blog americano voltado para assuntos que envolvem motocicletas (HDForums). O autor do post foi vítima, segundo ele, da imprudência de uma motorista que estava textando (mais um neologismo emprestado da língua inglesa e aportuguesado) enquanto dirigia.

Devo admitir, com certa vergonha, que eu tinha esse maldito costume. Ignorando todas as indicações (óbvias) que tal comportamento uma hora resultaria em alguma conseqüência, além dos apelos da minha esposa, eu sempre insistia no erro. Acostumado com aqueles antigos celulares que tinham a “escrita inteligente”, dirigir e mandar mensagem de texto era a coisa mais simples do mundo. Até então, eu nunca tinha ouvido falar em um acidente provocado por um condutor mandando mensagem.

E aí veio o aparelho celular com a tela touchscreen para complicar tudo. Esse novo tipo de dispositivo impossibilita escrever e fazer outra coisa, sem que seja necessário olhar para a tela do celular. Culpa das fabricantes de celular que ficam inovando para aumentar seus ganhos batendo a concorrência com novas tecnologias!!! É óbvio que não. A culpa é do irresponsável que insiste em dirigir e digitar ao mesmo tempo.

Nos Estados Unidos, 23% (1.3 milhão de veículos) dos acidentes de carro, em 2011, foram causados por motoristas que estavam utilizando o celular de alguma forma. Uma pesquisa mostrou que, ao mexer no celular enquanto dirige, as pessoas desviam a atenção por 5 segundos. A 90 km/h é possível atravessar, nesses 5 segundos, o equivalente a dois campos de futebol!

Voltando para casa, de madrugada, no último final de semana, eu pude reparar na quantidade de pessoas utilizando o celular enquanto dirigiam. Pela segunda vez (a primeira foi o tal post) eu percebi as possibilidades de uma tragédia. Como motociclista, posso ser vítima de um desses condutores a qualquer momento. E, pra piorar, serei o maior prejudicado. Não contei quantos motoristas estavam usando o celular mas não eram poucos. E é curioso seguir um desses elementos. Tenho certeza que alguns estavam bêbados mas, certamente, não todos. Porém, a maneira como o carro “se comportava” na pista passava a impressão de que todos os condutores estavam muito alcoolizados. Nenhum carro permanecia em linha reta por muito tempo e, vez ou outra, alguém tirava “um fino” de algum outro carro e/ou meio fio.

Viver no Brasil (e não deve ser só aqui) é achar normal os mais fracos serem prejudicados. Se não corrermos atrás dos nossos direitos a rasteira é certa. Abaixo está o link com o post brutal escrito pelo iceman336. Quem puder lê-lo deveria. Fica a sugestão para que nós, motociclistas (ou não), coloquemos (mais) esta questão em evidência.

http://www.hdforums.com/forum/general-harley-davidson-chat/846933-iceman336-accident-details-and-photos.html

Voltando pra casa…

Sair de Big Bear Lake foi difícil. Um misto de sentimentos me envolveu. Há uma semana eu não conhecia uma pessoa sequer que fazia parte do grupo e, naquele momento, eu já sentia saudade de cada um deles. O cuidado demonstrado pelo próximo, o respeito na hora de tomar decisões, o companheirismo evidenciado no compartilhamento da esperada cerveja ao fim de cada dia. As histórias divididas e as tragédias de cada um contadas sem cerimônias. Não sei se todos se sentiam assim mas, eu, definitivamente, estava triste.

Em mais uma demonstração de amor pelo trabalho, Wil saiu do caminho planejado e nos levou para o topo de uma montanha que serve de base para uma equipe de emergência do Corpo de Bombeiros. A visão lá do alto possibilita ver toda a região ao redor. Estávamos perto do condado de Los Angeles e, se não houvesse tantas nuvens na área, conseguiríamos ver uma quina da cidade.

De lá fomos para mais um daqueles acostamentos vastos para nosso último café da manhã em grupo. Mas, antes, demos uma passada em um posto de gasolina local para reabastecer as motos. A idéia era sair do café da manhã e só parar em Los Angeles para o almoço. Como as montanhas que cercam Big Bear Lake são cortadas por pistas cheias de curvas levaríamos um bom tempo até L.A. Enfim, no tal posto de gasolina encosta um coroa gente fina com um carro que é um show à parte! O velho Chevrolet (se não me engano) levou mais de uma década para ser restaurado com as peças originais! A paciência e dedicação desse senhor é invejável. Segundo o proprietário, Randy Jackson (jurado de American Idol)  já ofereceu uma grana pelo calhambeque.

Essas bicicletas motorizadas na caçamba valem uma fortuna!

Esse deve ser o motor mais limpo do mundo!

Após o abastecimento paramos numa área chamada rim of the world (borda do mundo). Já estávamos embasbacados com a vista e, ficamos ainda mais, quando pudemos apreciá-la parados. A descida do alto da montanha nos presenteou com uma vista singular: observar as nuvens abaixo de nós! Enquanto tomávamos nosso café fomos surpreendidos por um barulho assustador. Não consegui entender o que estava acontecendo mas, antes de conseguirmos pegar as máquinas fotográficas, vários carros esportivos passaram em alta velocidade. Foi um festival de Lamborghinis, Porsches, Aston Martins e, certamente, outros carros muito caros que eu não conheço. Como eu disse, foi tão rápido que ficarei devendo a foto.

Vista do último café da manhã da viagem

A saída da montanha foi tensa. O vento estava empurrando as nuvens contra as paredes rochosas e forçando-as a subir. Resultado: neblina forte! Tivemos que reduzir a velocidade porque estava difícil enxergar.

Da calmaria montanhosa que envolve Big Bear Lake até o caos urbano foi um pulo. Voltamos a cruzar as longas retas que atravessam as grandes cidades americanas. O tempo estava para muita chuva e chegamos a pegar uma garoa chata, mas nada além disso.

freeway entupida de carros em alta velocidade em pleno sábado foi inesperado. Essa foi a única hora que minha mulher ficou com medo. Mas, ao contrário do que vemos no Brasil, o respeito com o motociclista nos Estados Unidos é de emocionar. Em momento algum fomos fechados por motoristas mal educados ou passamos por qualquer situação de risco (por causa de carros e/ou caminhões). Sem querer puxar sardinha pro americano mas, nesse aspecto, falta muito para o brasileiro chegar nesse nível de educação no trânsito.

Back to L.A.

Essa viagem foi, indubitavelmente, a experiência mais emocionante da minha vida. A felicidade de andar de moto por sete dias na companhia da pessoa amada não tem preço. De quebra, tem-se o prazer de ver alguns dos lugares mais bonitos dos Estados Unidos e, porque não, do mundo. Tive a honra de conhecer um grupo de pessoas sensacionais, cada um com uma história de vida que passa algum ensinamento valioso. Foi um privilégio conhecer cada indivíduo e, certamente, essa experiência criará um vínculo eterno entre cada um de nós, mesmo que não nos vejamos mais. Desde que voltei tenho falado para meus amigos motociclistas planejarem uma viagem semelhante. Baseado no que vivi, não consigo desejar nada melhor.

Dia 6…

É inevitável acordar e não pensar que o penúltimo dia chegou. E que essa maravilhosa experiência de vida uma hora chegará ao fim. Meu dia começa com a lembrança dos lugares visitados e do sentimento que cada localidade provocou. A ansiedade do primeiro dia com a chegada em Laughlin e os muitos quilômetros pela frente. A primeira imagem do Grand Canyon e de como a natureza é capaz de surpreender sempre. As montanhas coloridas que cercam o verde acolhedor de Zion Park. A coragem e engenhosidade humana ao decidir erguer uma cidade como Las Vegas no meio do deserto. O charme amedrontador e sufocante do Vale da Morte… e agora o aviso da esposa de que tá na hora de tomar banho.

Como todos os outros dias, tomamos o café da manhã em algum acostamento que privilegia um ponto específico da região, brindando-nos com (mais uma) vista singular e inesquecível. Eu não consegui curtir meu café da manhã porque a mola do pezinho da minha moto havia sumido! Imagina o susto ao ouvir o som de ferro batendo contra alguma coisa. Até entender que era o side stand foram-se três longos segundos! Tive que segurar o descanso da moto com o pé esquerdo até finalmente pararmos.

Remendo tabajara! Agora só funciona com ajuda manual.

Café da manhã tomado e reparo Tabajara feito, era hora de acelerar. O Vale da Morte vai ficando mais ameno à medida que rumamos em direção à Big Bear Lake. Com o tempo voltamos a ver trens à distância e algumas construções que abrigam comércios e residências. Pouco menos de três horas depois já vemos o retorno das cadeias montanhosas “com vida” no horizonte e nos despedimos do deserto pelo retrovisor.

Duas coisas me chamaram a atenção: a mudança na paisagem e, conseqüentemente, no clima, e as curvas em U extremamente fechadas que rasgam as montanhas. A distância entre a floresta de pinheiros que nos rodeava e as areias áridas era de poucos quilômetros mas, pela diferença na vegetação, parecia impossível um deserto tão perto dali. A natureza era viva e rica. A umidade do ar era agradável. Já as curvas não eram tão amigáveis. Fomos obrigados a abrir uma grande distância entre veículos para evitar uma colisão. Um dos condutores me pediu desculpas na parada seguinte por ter freado tão bruscamente nas primeiras curvas. Felizmente, tudo deu certo!

Chegamos cedo em Big Bear Lake. A cidade é pacata e muito agradável. As árvores indicam claramente a estação do ano e chegar lá no início do outono não foi nada mal. Nos hospedamos num hotel que fica a beira do lago. Para quem está planejando uma lua-de-mel, Big Bear Lake pode ser o lugar ideal. No inverno o frio congela o lago e a paisagem fica tomada pelo branco da neve. Fechamos o dia com uma confraternização movida a carne e cerveja.

Vista do quarto

Wil nos avisou que dia seguinte pegaríamos a estrada mais bonita da viagem. Difícil de acreditar que isso pudesse ser verdade. “Wait and see…”

Vale da Morte

Sair de Vegas foi quase um alívio. Embora não tenhamos passado por nenhuma situação inconveniente ou desagradável, voltar para as motos e natureza parecia ser “a coisa certa”. Fizemos o checkout do hotel em meio a um saguão tão cheio que parecia que estavam distribuindo dinheiro! Normal, estávamos há poucos metros de um cassino em Las Vegas.

Enquanto esperava na fila eu conversava com um dos membros do grupo sobre motos, claro. Mostrei as fotos da Zero Engineering e conversamos sobre as três motos que ele possui. Uma BMW R 1200 GS, uma Ducati cujo modelo eu não lembro e sua mais nova aquisição: a Hellcat 132. As motos da Confederate motorcycles são personagens constantes dos meus sonhos impossíveis. Muita gente acha as motos da marca feias e esquisitas mas eu sempre gostei do design peculiar deles. Sou tão fã da Confederate que fiquei muito feliz só em conhecer o dono de uma! Como diria uma querida amiga: “Ô pobreza…”

A saída de LV foi tranqüila apesar do tráfego intenso. Conseguimos chegar em poucos minutos na Freeway que contorna a cidade e seguir rumo ao Vale da Morte. Por ser um lugar extremamente quente a idéia era cruzá-lo antes das 12h para não corrermos o risco de passar mal ou termos qualquer problema sério com as motos. Como estávamos no mês de outubro pegaríamos algo em torno de 38 graus Celsius. É raro e desaconselhável ir para lá no meio do ano. Para se ter uma idéia, a temperatura mais alta já registrada no planeta foi lá no início do século XX: 56.7 graus Celsius!

Ao entrar no Vale da Morte as placas indicam que não haverá local para abastecer nas próximas 70 milhas. Elas também sugerem que condutores de veículos com ar condicionado desliguem a refrigeração para não superaquecer os motores. E eu achando que passar por lá de moto era furada.

Alguns minutos depois de entrarmos, oficialmente, naquele forno natural, uma das motos apresentou um problema. A bateria havia queimado (parcialmente) no meio do Vale da Morte! Timing perfeito! Ficamos lá por quase duas horas no sol escaldante tomando muita água e economizando energia da melhor maneira possível. Como não havia sombra procuramos não nos movimentar demais. Até para quem mora em Brasília e está acostumado com alguns meses de secura extrema e muito calor, não foi fácil.

Vale da Morte

Problema resolvido e pé na estrada. Pouco tempo depois chegamos em Badwater Basin. Esse local é o ponto mais baixo dos Estados Unidos: 85.5 metros abaixo do nível do mar. O calor lá é insuportável e uma cadeia de montanhas ao redor corta qualquer passagem de ar que eventualmente possa passar por ali.

Fotos tiradas e vamos nessa. Sem grande surpresas mas muito calor depois, chegamos em um restaurante com ar condicionado e água gelada! Um oásis!

O restante do caminho foi bem mais agradável do que o Vale da Morte. Embora seja inóspito e tenha um nome típico de alguma localidade em Senhor das Anéis, compensa conhecer a região pela beleza desértica. Só não arrisque ir para lá em junho/julho.

Retas infinitas. A linha de visão se afunila no tempo.

Fizemos a última parada do dia para fotos panorâmicas antes de chegarmos ao nosso destino. Foi lá que eu derrubei a moto! Vacilei na hora de sair do acostamento com brita e a roda dianteira acabou afundando no terreno. Quem segura uma moto de mais de 400 kg? Felizmente ela inclinou pouco para o lado e pronto. O mata-cachorro da Electra Glide é tão grande que impede uma queda mais grave.

Estávamos com reservas marcadas para passarmos a noite em um hotel de família em frente a um rest stop. Como chegamos lá quase escurecendo eu não notei um acampamento de trailers do outro lado da estrada. Só no dia seguinte é que eu entendi como poderia haver tanta gente no restaurante do hotel.

Hotel no Vale da Morte

O hotel é propriedade de um ex-funcionário da NASA (eu acho) com uma ótima aposentadoria e quem trabalha lá são seus filhos e filhas. Por ser um ambiente realmente familiar, e “apenas” uma renda extra para o dono, é necessário tomar cuidado com o comportamento. Qualquer pisada na bola e você é expulso do lugar sem cerimônias.